Guy Carvalho da entrevista exclusiva para Faemg sobre prejuízos da Geada ocorrida em Julho 2019

01.08.2019 Autor: Fonte:
Venerando Carvalho Resende foi um dos cafeicultores que teve as lavourasatingidas pela geada. Com produção localizada

Venerando Carvalho Resende foi um dos cafeicultores que teve as lavouras

atingidas pela geada. Com produção localizada no município de Conceição

Aparecida, no Sul de Minas Gerais, o produtor aguarda o período de 30 a 40 dias

necessário para a reação das plantas para avaliar e tomar as primeiras providências

para recuperar o cafezal.

“Fomos muito penalizados pela geada e estamos aguardando para ver qual será a

reação das plantas. Fora o problema da geada, as lavouras continuam sendo

prejudicadas pelo frio. É uma situação muito difícil”, afirmou Resende.

Ainda segundo ele, a geada veio agravar ainda mais o cenário. A safra atual, que

já seria menor, foi ainda mais prejudicada pelo clima e pela queda dos grãos. A

área afetada pela geada tem alta tecnologia implantada e é composta por plantios 

com idades de 4 anos, 3 anos e 1 ano. Em algumas delas, parte da colheita já havia

sido feita.

“Vamos fazer o repasse da máquina para tentando pegar o café que ficou no chão.

Essa é uma safra para esquecer. Além disso, os preços do café estão ruins e não

cobrem os custos. Com a queda do café, perdemos qualidade e a produção de cafés

especiais também foi prejudicada. Ainda enfrentamos o clima seco e frio, que

continua prejudicando o cafezal”, disse.

SETOR BUSCA AJUDA DO GOVERNO FEDERAL

A geada que atingiu os cafezais em Minas Gerais veio agravar ainda mais a

situação financeira dos cafeicultores. Para amenizar os problemas e dar novo

fôlego aos produtores, representantes do setor estão em negociações com o

governo federal para a criação de medidas que sejam realmente efetivas para o

setor. Porém, a demora nas decisões é um desafio a ser superado.

As negociações foram iniciadas há alguns meses, tendo como base os problemas

já enfrentados pelo setor e que agora foram agravados e precisam de ações rápidas.

Um dos principais desafios são os preços baixos pagos pelo café. Hoje, a saca de

60 quilos é vendida em torno de R$ 400, enquanto os custos de produção do mesmo

volume estão em cerca de R$ 500. Mesmo com as negociações em curso há meses,

o governo federal ainda não deu respostas ao setor.

Para o vice-presidente de finanças da Federação da Agricultura e Pecuária do

Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das comissões de cafeicultura da

Faemg e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno

Mesquita, o momento para se fazer alguma coisa é agora.

“Três meses antes do início da colheita, já estávamos trabalhando em busca de um

mecanismo que garanta renda para o produtor e discutindo o assunto junto ao

governo federal. Com a geada e o clima desfavorável, essa negociação se torna

ainda mais importante. Precisamos de soluções para que o produtor possa diminuir

a dificuldade que vem enfrentando. Já colhemos cerca de 80% da safra e os preços

continuam abaixo do custo. Estaremos, no dia 5 de agosto, em Brasília, discutindo

com o governo para que sejam implementadas políticas que consigam equilibrar

essa bagunça que virou o mercado do café”, disse Mesquita.

Dentre os assuntos discutidos está a possibilidade de uma linha de crédito que

permita ao cafeicultor um prazo de dois anos a três anos de carência, para conseguir

continuar a produzir.

Ainda segundo Mesquita, com a geada e a manutenção do frio nas áreas

produtoras, há possibilidade de que a quebra de 20% prevista inicialmente na safra

de Minas Gerais deve ser superada, com o comprometimento de um volume maior

e impactos negativos na safra 2020.

“A queda maior na safra já é uma coisa que aconteceu e vamos precisar de algum

tempo para quantificar. Muitos produtores de regiões diferentes estão relatando

perdas superiores a 20% frente ao ano passado. É uma situação que nos preocupa

muito. Com o advento das geadas e dos demais problemas climáticos, haverá

consequências negativas na safra 2020. Aquilo que estávamos esperando, uma

safra muito boa em 2020, é provável que não aconteça”.

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