Ferrugem do cafeeiro

13.01.2020 Autor: Carol Silvério Fonte: Guy Carvalho
Causada pelo fungo Hemileia vastatrix, a ferrugem do cafeeiro é a principal doença que atinge as lavouras de café no

Causada pelo fungo Hemileia vastatrix, a ferrugem do cafeeiro é a principal doença que atinge as lavouras de café no Brasil, sendo encontrada em todas as regiões produtoras do país. Caracteriza-se pela destruição do banco de folhas da planta, podendo comprometer de 35 a 100% da produção e deixar sequelas na lavoura por muitos anos. 

No início, as folhas do cafeeiro afetadas pelo fungo apresentam manchas marrons (necrose) eventualmente circundadas por halo de cor amarela, que variam de 1 a 3mm de diâmetro. Posteriormente, as manchas podem atingir até 2cm de diâmetro. Na parte inferior justaposta à necrose encontram-se pústulas (massas pulverulentas de coloração amarelo alaranjada) formadas por esporos do fungo que, quando coalescem, podem cobrir grande extensão da folha, o que culmina em sua perda. Conforme as folhas caem, a planta diminui a taxa fotossintética, perdendo sua capacidade de produzir carboidratos e, consequentemente, produzir energia para auxiliar no crescimento do cafeeiro e no enchimento dos frutos. 

A chuva e o vento são os principais agentes disseminadores da doença dentro do cafezal, que também pode ocorrer através de insetos. Os esporos da ferrugem germinam e penetram nas folhas. Inicialmente, não é possível perceber nenhuma alteração aparente na planta, o que vai ocorrer somente algum tempo após a infestação, quando o fungo se reproduz e esporula.  Temperaturas na faixa de 20 a 24°C, chuvas, umidade e ambientes sombrios são as principais condições para que a doença se alastre. Outros fatores que podem contribuir são o sistema de plantio mais adensado, lavouras com tratos mal feitos, inóculo do ano anterior, carga pendente elevada e variedade de café susceptível.

Os prejuízos para a lavoura são inúmeros. A redução da área foliar em virtude da desfolha impossibilita a manutenção da produção da safra, pois causa seca de ramos laterais antes da época de florescimento do cafeeiro, refletindo negativamente sobre o desenvolvimento dos botões florais, vingamento da florada, desenvolvimento dos frutos e redução da produtividade do ano agrícola seguinte. As perdas em produtividade podem superar 20% ao longo de várias safras.

O controle preventivo pode ser feito através da genética ou da utilização de produtos químicos. O controle genético consiste na utilização de variedades que possuem tolerância à ferrugem, como Obatã, Arara, Catucaí, Catiguá e Icatu, sendo também necessário utilizar algum controle químico nas plantas. 

Se o produtor utiliza variedades sensíveis a praga deve traçar uma estratégia de controle que combina ações em diferentes períodos do ano, uma vez que não existe um único controle químico adotado. Segundo especialistas da Bayer, basicamente são utilizados três sistemas de controle: 
a) Proteção de florada: produtos específicos para doenças da florada que possuem ação lateral sobre a ferrugem. Devem ser aplicados entre os meses de agosto, setembro e outubro, como é o caso do Nativo; 
b) Fungicidas de solo: além de proteger contra doenças, alguns desses produtos aumentam o vigor das plantas, que crescem e vegetam mais. A recomendação dos especialistas da Bayer é a aplicação nos meses de novembro e dezembro, quando se iniciam as chuvas, pois os produtos necessitam de umidade no solo para apresentarem efeito. Há necessidade constante de monitoramento e, caso necessário, devem ser realizadas aplicações foliares utilizando-se um produto com princípio ativo diferente do que foi aplicado via solo. Os meses ideais para aplicação são janeiro a março. Exemplos de produtos utilizados: Sphere Max e Bayfolan Cobre;  
c) Produtos de verão: aplicados nos meses de dezembro em diante. 

Essas ações combinadas são importantes para manter o cafeeiro protegido durante todo o ano, do florescimento à maturação do grão.  Vale ressaltar que, nos anos em que os talhões estão com carga mais alta, a planta se debilita um pouco mais e a doença ataca com mais agressividade, sendo necessário um maior cuidado preventivo.

Dica: Em lavouras esqueletadas, o enfolhamento é baixo de setembro a novembro, sendo fácil controlar a ferrugem. A partir de janeiro e fevereiro, o ganho de folhas costuma ser grande e, nesse momento, se deve ter um cuidado especial para não correr o risco de ferrugem tardia, que pode ser ainda mais agressiva. Portanto, nesses casos, os controles devem ser feitos até o mês de abril. 

Galeria

Veja Também

Clientes