Excesso de água no solo prejudica o cafeeiro

28.01.2020 Autor: Prof. José Donizeti Alves Fonte: Prof. José Donizeti Alves
O estresse hídrico também pode ocorrer pelo excesso de água e é prejudicial às lavouras

Normalmente, as pessoas associam estresse hídrico a falta d’água, esquecendo que o excesso também é prejudicial às culturas. Sob chuvas volumosas ou irrigação malfeita, a água preenche a maioria dos poros do solo, antes ocupados pelo ar. O oxigênio remanescente, ao ser utilizado pela respiração das raízes e de microrganismos, gera rapidamente uma condição de hipóxia (baixo teor de oxigênio) ou de anoxia (ausência de oxigênio). Sem oxigênio, as plantas, por serem obrigatoriamente aeróbicas, não sobrevivem ou têm sua produção bastante limitada.

No Sul de Minas Gerais, no Triangulo Mineiro, bem como nas principais regiões cafeeiras do país, estamos registrando índices pluviométricos alarmantes. Queda na fotossíntese e alocação de carboidratos para os frutos e pontos de crescimento; baixa produção e energia na forma de ATP; limitação no aproveitamento de micro e macronutrientes; elevação na produção de espécies reativas de oxigênio que geram o estresse oxidativo; alterações hormonais, como a queda na produção de estimulantes do crescimento - auxinas, giberelinas e citocininas; e estímulo na síntese dos inibidores, como o ácido abscisico e etileno, ditos como hormônios do estresse, são algumas dentre tantas alterações metabólicas que o cafeeiro pode apresentar sob condições de encharcamento do solo. 

Em decorrência dessas alterações, uma gama de sintomas de desordens nutricionais, fitossanitárias e fisiológicas já começaram a aparecer. Dentre elas podemos destacar: redução no crescimento da parte aérea e raízes; hipertrofia de ramos, caules e frutos; clorose e outros sintomas de deficiência/toxidez de nutrientes; deficiência de micronutrientes devido ao ambiente redutor no solo; lixiviação de N e K; queda de frutos e de folhas; baixo enchimento do grão - peneira baixa; queda na qualidade dos frutos; depauperamento; morte de plantas, especialmente àquelas recém-plantadas, e predisposição ao ataque de pragas e doenças. 

Esta situação é agravada, uma vez que muitos cafeicultores não estão conseguindo fazer os tratos culturais para a época, como as adubações de solo e folha e o controle de doenças, as estradas estão danificadas e tudo isso em conjunto, além de prejudicar a produção de café como um todo, deve elevar os custos de adubação e de aplicação de defensivos agrícolas para o controle de fungos e outras doenças causadas pela alta umidade do ar e do solo.

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