Fenologia do cafeeiro voltada aos tratos culturais

07.04.2020 Autor: Dra Paula Santini Fonte: Dra Paula Santini
Tratos culturais realizados com base na fisiologia do cafeeiro podem potencializar os resultados

Costumo dizer que a planta de café é um vegetal sensacional biologicamente falando, pois os cafés da espécie Coffea arábica apresentam uma sucessão de fases vegetativas e reprodutivas que ocorrem em aproximadamente 2 anos, uma paralela à outra. Essa atividade é diferente da maioria dos vegetais, que emitem as inflorescências na primavera e frutificam no mesmo ano fenológico (CAMARGO; CAMARGO, 2001).

Camargo (2001) criou um modelo bem didático exemplificando a dinâmica vegetativa e reprodutiva do cafeeiro: de setembro a março, a planta tem sua energia voltada em adquirir parte vegetativa e formar gemas vegetativas; de abril a agosto, sua energia está focada em indução, crescimento e dormência de gemas florais. Concomitantemente, de setembro a dezembro se tem a florada, pegamento do grão “chumbinho” e expansão dos frutos; de janeiro a março ocorre a granação dos frutos; de abril a junho a maturação dos grãos; e de julho a agosto, está em repouso e senescência dos ramos.

Figura 1: Vegetação e frutificação do cafeeiro arábica abrangendo seis fases fenológicas durante 24 meses.

A fenologia do cafeeiro arábica tem seu modelo com base nas condições agrometeorologicas do Brasil de forma anual. Esse modelo permite a identificação de quais fases são mais exigentes em água, facilmente disponível no solo, e as que necessitam da ocorrência de intempéries para o condicionamento de uma florada abundante.

Com base na dinâmica global do cafeeiro, podemos otimizar alguns tratos culturais. Fazendo-os na época certa, o tratamento pode ser potencializado, fornecendo assim um metabolismo adequado para as plantas afim de obter produção vegetativa e produção de grãos.

Figura 2: Tabela de trato cultural anual do cafeeiro Coffea arabica.

Não que determinado trato não possa ser feito fora das épocas estipuladas acima. O fato é que, ao se respeitar a fisiologia da planta, conseguimos um resultado mais eficaz, podendo obter melhores resultados e um gasto menor de mão de obra e de produtos, caso seja necessário a aplicação. Ao se fazer fora da época de manejo, podem haver desperdícios, logo, um gasto maior de recursos. 

Lembre-se sempre de consultar um agrônomo antes de iniciar qualquer tipo de trato cultural no cafeeiro.

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