Secagem De Café Sem Terreiro - Usina De Secagem

16.08.2017 Autor: Guy Carvalho Fonte: Papo de Cafeicultor
Secagem De Café Sem Terreiro - Usina De Secagem

E tudo começa aqui, quando o café chega da roça, ele vem para a via úmida, onde ele vai ser lavado, despolpado, onde será separado o café cereja do café verde e o boia. Levando em seguida para o processo de secagem.

Um dos diferenciais dessa tecnologia é que o terreno está em plena safra e o terreiro está vazio. Fazenda Canto Alegre, Coqueiral, MG.

- Guy: O que te levou a essa tecnologia?

- Eduardo Reis Chaves, proprietário da Fazenda Canto Alegre: O que me levou a essa tecnologia foi diminuir riscos. A gente tem que fazer uma colheita rápida, eficiente e não podemos passar por condições climáticas. Esse ano, em 1 hora choveu 40 mm aqui. Graças a Deus, estava com o meu terreiro vazio porque o café está sendo processado todo dentro da usina. Então, isso nos trouxe uma vantagem muito grande, com uma colheita na hora certa e há uma garantia que irei produzir um café de qualidade.

- Guy: Redução de custo?

- Eduardo Reis Chaves: Muito, eu tinha 10 terreiros, 2 rodos motos, 4 sopradores. Cada catador de terreiro ganha em torno de R$1500,00 e o que eu fiz, essas pessoas não existem mais. Elas foram alocadas em uma outra parte da fazenda mais importante e elas estão sendo mais valorizadas.

- Guy: Eduardo, então conta o segredo!

- Eduardo Reis Chaves: Vou convidar vocês para irmos até a usina e ver o trabalho que estamos fazendo por lá.

Aqui está o segredo, um novo modelo de secador. Ele seca três lotes ao mesmo tempo, ele é estático, mas, ao mesmo tempo, ele tem mobilidade. Hora ele mexe, hora ele fica parado 

- Guy: Explica melhor, Eduardo.

- Eduardo Reis Chaves: Uma usina de pós colheita, ela dispensa terreiro porque esse secador trabalho com três pisos. A gente trabalha com um processo onde em 20 minutos o café fica parado e 1 minuto o café fica girando. Então, trabalhamos com as vantagens do café estático, mas não deixamos de movimentar para homogeneizar, andar mais rápido a colheita e para garantir a qualidade. Com os três pisos, você tem diferenças de temperaturas e isso faz com que o café comece a secar devagar e ele finalize nos 11.5 de umidade em torno de 24 horas. Dessa forma, você não para a colheita, você colhe na hora certa e você consegue ter resultados fantásticos. 

Estou aqui com dois amigos, o Milton Verdade, consultor e experiente na produção de cafés especiais certificados e a Carmem Lúcia, a nossa Ucha que é produtora de café aqui em Três Pontas, MG, na região de Coqueiral e vai contar um pouco da experiência que eles tiveram, pois eles conheceram essa tecnologia na Colômbia. 

- Milton Verdade: Esse processo acontece na Colômbia, onde o período da colheita é muito mais chuvoso que no Brasil. Essa tecnologia já existe há algum tempo na Colômbia, onde o café é levado diretamente do descascador para o secador. Era um desafio que nós tínhamos aqui no Brasil, vencer os problemas climáticos que sofremos tanto no início da colheita. A busca de ir na Colômbia e ver essa tecnologia, vem confirmar que aqui no Brasil as experiências que estamos tendo do lançamento dessa tecnologia aqui no Brasil

- Carmem Lucia: A gente hoje está aqui para ver novidades, ver novas tecnologias, são tecnologias que estão vindo de outros países, fomos lá conhecer e eles estão fazendo coisas bacanas. Uma das coisas mais legais para nós produtores de café no Brasil é justamente conhecer coisas novas. A inovação, a gente não está parando, nós estamos cada vez mais buscando inovar. Realmente é desafiador, cada ano é uma novidade que a gente busca. Inovação e se queremos ter resultado, precisamos de coisas novas e esse equipamento vem nos trazer isso. Em relação aos cafés especiais, eu enxergo com muito bons olhos, por que isso me permite trazer cafés maduros e me traz micro lotes em cada uma escala ali. Muito interessante, tenho muito que aprender e é muito bem-vindo. Estou apaixonado por isso.

Vamos ouvir a opinião da estudante Marcela Oliveira sobre todo esse conhecimento.

- Marcela Oliveira, estudante de Agronomia IF Sul de Minas - Campos Muzambinho, MG: Eu acompanhando o Guy e conhecimento toda essa realidade da cafeicultura, vim aqui hoje foi um dia muito proveitoso e essa tecnologia realmente está aí para ajudar o cafeicultor. Nós, como alunos, sempre temos que estar em busca do conhecimento, porque ao sairmos da escola vamos chegar para os produtores e encontrar soluções. Essa nova tecnologia irá ajudar, não vamos precisar de terreiros, viabiliza o tempo do produtor que hoje é o que ele mais precisa. Ele tem agilidade em seus processos e essa nova tecnologia está chegando para melhorar.

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