Florada do Cafeeiro: Penalização Por Altas Temperaturas

29.11.2017 Autor: Guy Carvalho Fonte: Papo de Cafeicultor
Florada do Cafeeiro: Penalização Por Altas Temperaturas (Vídeo Aula)

 Amigos cafeicultores, estamos estreando uma nova forma de difusão, tecnologia e conhecimento. Através de uma aula interativa, estamos criando um link direto com os nossos seguidores. É o que estamos chamando de Papo Direto. O Papo Direto é uma oportunidade de tirar dúvidas e sugerir novos temas em nosso programa.

Desta vez, vamos atender o estudante da UFLA - Universidade Federal de Lavras -, Ricardo Lutfala, que participa do NECAF que é o núcleo de estudo de café daquela importante universidade. Aproveito para mandar um abraço ao Professor José Donizete, em nome de quem comprimento todos os amigos que tenho em Lavras.

Ricardo, tentarei explicar de forma simples e direta o problema das altas temperaturas durante a florada de outono que foi a principal florada da maioria das lavouras.

Levei as fotos e as observações para os pesquisadores da Embrapa que tem larga experiência nesse assunto, pois ao estudar o estresse hídrico do cafeeiro ele já se depararam com esse problema.

Na área experimental instalada em Planaltina no Distrito Federal eram 5 situações estudas. Uma área que nunca recebia estresse. Uma que tinha um estresse moderado, uma que o estresse foi considerado adequado, uma outra área que só recebia irrigação depois do início das chuvas, e área de testemunho que nunca era irrigada. 

Em anos que a chuva atrasava e que apresentava altas temperaturas, esse problema era comum de ser verificado. Levando a baixa produtividade

Essa é a equipe da Embrapa coordenado pelo Doutro Antônio Guerra que muito contribui para esse trabalho.

Equipe Técnica

Antônio Fernando Guerra - Irrigação

Omar Cruz Rocha - Irrigação

Gustavo Costa Rodrigues - Fisiologia Vegetal

Cláudio Sanzonowicz - Fertilidade do solo

João Batista Ramos Sampaio - Fitotecnia

 

Inclusive, ele fez essa seguinte explicação: "Embora a literatura esteja repleta de afirmações quanto aos limites de temperatura média adequada ao cultivo de cafeeiros, o que realmente afeta os chumbinhos são temperaturas máximas diárias elevadas superiores a 33ºC no momento da floração, isso normalmente ocorre porque essas temperaturas prejudicam o desenvolvimento do tubo polínico impedindo que o grão de pólen atinja o óvulo. Quando isso ocorre, é comum observar a requeima das flores e o baixo pegamento da floração."

Vamos entender melhor o cafeeiro, a florada acontece no meio do ciclo fenológico do cafeeiro. Marca o final do período de desenvolvimento vegetativo e o inicio do periodo reprodutivo.

O primeiro ano fenológico ocorre: vegetação, formação de gemas em seguida indução, crescimento e repouso das gemas florais. Já o segundo ano fenológico: florada, chumbinho expansão, para posterior granação e maturação dos frutos.

A principal florada aconteceu entre os dias 9 a 12 de outubro aqui no Sul de Minas e em parte de São Paulo e foi caracterizada por temperaturas muito elevadas de 4 a 5 graus acima da média para o periodo.

Florada intensa, muito uniforme em virtude do estresse hídrico do ano anterior. Flores abriram ao longo da planta da parte superior e inferior. Dos dois lados e ao longo do galho. Até lavouras menos vigorosas mostraram uma florada bastante intensa.

 A queima pode ser notada logo nos primeiros dias, botões e flores mostraram coloração mais clara do que o normal. Também foi constatado queima de folhas próximo da área de frutificação. Esses chumbinhos, desprendiam facilmente, como se tivessem desliado da planta.

Esse é o tubo polínico, por onde passa o grão de polém para fecundar o óvulo. Acreditamos que o dano causado ao tubo polínico pela temperatura elevada é que foi responsável pela penalização dos chumbinhos.

A maioria das lavouras visitadas depois da florada apresentava algum nível de dano com este problema. Os ponteiros assim como os ramos expostos das plantas foram os mais prejudicados. Quanto a redução do potencial de produção é importante destacar que esses dados são irreversíveis.

 O nível de dano variou principalmente em função:

 - Temperatura: Quanto maior a temperatura maior o nível de dano.

- Vigor de enfolhamento: Quanto mais enfolhada menor nível de dano. Plantas menos vigorosas que já apresentam menor potencial limitaram ainda mais a produção.

- Face de exposição ao sol: Maior ocorrência voltada sol da tarde.

- Variedade: Houve variação no nível de dano em função da variedade, algumas demonstram menor nível de dano.

E atenção, vamos a nossa conclusão;

Quantificar o nível de perda nesse momento seria precipitado, pois o baixo nível de umidade do solo também afeta o pegamento dos chumbinhos, somente após a fase de expansão dos frutos (+100 dias de florada) poderemos ter uma maior noção do que as plantas conseguiram preservar da produção, aí sim quantificar evitando surpresas desagradáveis na colheita.

A proposta deste canal é continuar acompanhando o desenvolvimento da safra e compartilhando o conhecimento com estudantes e cafeicultores.

Recomendação;

Para lavouras irrigadas o uso da técnica do estresse hídrico garante o florescimento no início de setembro onde as temperaturas estão mais baixas, livrando assim o cafeeiro deste tipo de perda.

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