Pragas e Doenças do Cafeeiro: Hora Certa de Agir! (Parte 2)

01.02.2018 Autor: Guy Carvalho Fonte: Papo de Cafeicultor
Pragas e Doenças do Cafeeiro: Hora Certa de Agir! (Parte 2)

Dando continuidade ao último episódio, aproveitamos a visita aqui na Fazenda Experimental de Varginha, Sul de Minas Gerais, e viemos conferir os produtos que estão sendo experimentados aqui no local. Para isso, eu convidei o Pedro Mendonça, parceiro do nosso canal que sempre colabora com muita informação e pedi para que ele nos mostre o resultado desse experimento em que ele é responsável.

- Pedro Mendonça: Bom, nós estamos aqui em uma área da Fundação Procafé e todo ano nós fazemos um ensaio aqui, a Fundação é uma grande parceira da BASF e como o André falou, esse ano é termos uma safra alta, positiva e é um ano de mais chuva e consequentemente estamos tendo uma pressão maior de chuva. Como nós vimos, já temos ferrugem em algumas áreas e estamos em época de germinação. Então, quer dizer, já parece alguma coisa no fruto também. É um ano excepcional para você testar produtos e fazer ensaio. Aqui na Procafé, todo ano fazemos ensaio e estamos em uma área para isso. Nós estamos testando 5 fungicidas, alguns convencionais que muitos conhecem, como por exemplo, opera, a ábaco e o, novo, orquestra. Além disso, nós temos uma mistura tripla para café que irá vir futuramente, um produto mais completo para controlar doenças de cafés. Então, nós estamos com esse ensaio, testando vários fungicidas, ao mesmo tempo, em diferentes tratamentos e também alternando eles para determinar a melhor opção para o produtor trabalhar em uma área de muita ferrugem ou problema de fome.  Então nós temos esse ensaio para exatamente nos ajudar a definir para o produtor rural.

- Guy Carvalho: Pedro, de acordo com os dados daqui da estação, nos mostra que esse é o momento correto para fazer o controle e dar continuidade do controle de ferrugem. Fale um pouco sobre isso?

- Pedro Mendonça: Bom, primeira coisa Guy, o produtor tem que ter consciência: controle tardio não se deve fazer. Se passar da hora é perda econômica, perde de folha, perda de fruto e perda na qualidade de produção. O controle tem que ser preventivo. Nesse ensaio, nós iniciamos a aplicação no início de dezembro, fizemos a aplicação e alguns já receberam a segunda aplicação em meados de janeiro. Então, quer dizer, o produtor tem que estar extremamente consciente que nessa fase já é a continuidade aplicação, monitorar a lavoura e não perder o período correto de aplicação, porque, mesmo ele tendo feito a primeira aplicação, se ele perder o momento certo ele perde o controle. Ele tem que monitorar e aplicar corretamente, por exemplo, aqui nós temos tratamentos que não são nem 2, mas 3 aplicações. Então, o produtor tem que estar consciente do período correto para ele fazer a segunda aplicação.

- Guy Carvalho: Pedro, o produtor fez a primeira aplicação lá atrás, deve fazer uma segunda agora e poderá precisar fazer uma terceira aplicação?

- Pedro Mendonça: Acho que em um ano de carga alta, como nós estamos, possivelmente será obrigatória uma terceira. Nós estamos em um momento, fonologicamente muito importante, em que o fruto já chegou em sua expansão e muitos já estão entrando em granação. Então, nessa fase muito sensível, é importante ele acompanhar para fazer a segunda. A terceira, ele vai fazer a mesma coisa: ele vai marcar a data de sua segunda aplicação e irá acompanhar a planta. Além disso, dependendo da condição de clima, com muita chuva, pode ser que você terá uma pressão maior de determinadas doenças. Se tiver menos chuva pode ser que venha outro tipo de doença, por isso ele tem que acompanhar, o clima poderá favorecer uma determinada doença.

- Guy Carvalho: Ele tem que ficar atento?

- Pedro Mendonça: Ele tem que ficar atento. Nós sabemos que há ferrugem, sercóspera, fome - esse ano temos período chuvoso e estamos vendo muito problema de bactéria. Quer dizer, isso tudo depende do comportamento da planta e do clima. Então, o produtor tem que acompanhar.

- Guy Carvalho: Até quando Pedro, qual seria a data limite para encerrar o controle de doenças?

- Pedro Mendonça: Maio e março, considero um período que temos ter um acompanhamento bem feito.

- Guy Carvalho: Concluir tudo.

- Pedro Mendonça: Concluir tudo. Lá na frente, um ou outro caso. Pode ser que ele tenha que completar alguma coisa, mas, se ele fez um programa correto, a possibilidade de haver um escape é menor.

- Guy Carvalho: Final de janeiro é hora de atenção e seguir isso até março?

- Pedro Mendonça: Isso, para que a planta esteja okay e com um fruto de qualidade.

- Guy Carvalho: Pedro, com esse clima, podemos encontrar a broca. Caso o produtor encontre a broca e ele não fez nenhuma ação, ainda tem possibilidade de reparo?

- Pedro Mendonça: Temos que entender que com a florada de outubro em meados de janeiro, estamos exatamente 95 a 100 dias depois da florada. É exatamente o período que ele irá atacar próximo a maturação. Então quer dizer, o fato é que o produtor tem que monitorar e acompanhar a broca pelo menos até abril. O produtor tem um período que pode monitorar e se tiver necessidade, fazer o controle.

- Guy Carvalho: Se ele não tiver feito nada e ela aparecer, ele tem que agir?

- Pedro Mendonça: Ele tem que agir e fazer a aplicação com muito cuidado e atenção. Ele não pode relaxar e ficar tranquilo. Ele tem que observar talhão por talhão, subdividir a área dele, por incrível, se há área muito carregado a possibilidade é mais tranquila para monitorar. Diferentemente, das áreas medianas que ele terá que olhar com mais atenção, já que a pressão tende a ser um pouco maior.

- Guy Carvalho: Agradecer como sempre a sua parceria e colaboração com todos os produtores que nos acompanhe.

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