Secagem de Café - Fazenda Colhe 10 Mil Sacos Sem Uso de Terreiro

28.07.2018 Autor: Guy Carvalho Fonte: Papo de Cafeicultor
Secagem de Café - Fazenda Colhe 10 Mil Sacos Sem Uso de Terreiro

Amigos cafeicultores, hoje vamos mostrar a infraestrutura de secagem das Fazendas Reunidas do Grupo ACP e filhos em Carmo do Rio Claro. Ela é bem diferente, pois, mesmo em se tratando de uma grande produção, cerca de 10 mil sacos de café, não utiliza terreiro. Uma das dificuldades desses cafeicultores foi completamente assegurado, na agilidade, na segurança e no processo e economia do pós colheita.

Vamos conhecer melhor essa inovadora estrutura de secagem de café. São 16 secadores alinhadas em formato da letra U. O café chega da roça e o caminhão direto por cima, direto da caixa. Após a descarga, a turbina é acionada e só será desligada ao fim do processo de secagem.

Como os grãos não se movimenta durante a secagem é o ar que atravessa a massa de café que garante a desidratação dos grãos e impede a fermentação. A caldeira alimenta os radiadores e o ar quente é colocado na massa para acelerar o processo de secagem e esse ar quente é até 40ºC na massa.

Todo o processo de secagem leva de 4 a 5 dias de acordo com a maturação do café. Ao final da secagem, por meio de um pistão, a caixa é inclinada e o café cai em uma esteira e é lavado até o elevador. Depois vai para o caminhão e segue para outra fazenda que tem as tulhas e as máquinas de benefício.

O dia de campo, reuniu agricultores, técnicos entre outras pessoas ligada a cafeicultura. Durante o evento, tive a oportunidade de compartilhar conhecimento através de uma palestra sobre tecnologia e competividade. Além de falar sobre esse tipo de secagem.

- Carlos Henrique Palini, Diretor Comercial Palini & Alves: Como sempre, o objetivo do dia de campo da Palini & Alves é trazer projetos inovadores da cafeicultura. Aqui nós estamos apresentando os nossos secadores estáticos. A secagem estática, em nosso ponto de vista, ainda é um conceito novo na cafeicultura. Estamos aqui para comprovar o funcionamento dos nossos secadores estáticos, a eficiência e o resultado dos cafés secos nesse secador.

Depois de apresentar essa infraestrutura aos participantes, os proprietários validaram a eficiência desse método de secagem. Eles apresentaram amostras de cafés que foram feitas sem uso de terreiro.

Estou aqui com o Léo e com o Guto e nós vamos falar um pouquinho desse investimento.

- Guy Carvalho: Léo, realmente vocês acreditaram nessa tecnologia de secagem e fizeram um excelente investimento.

- Léo Pereira: Sim, nós acreditamos e vimos, quando nós conhecemos, que era uma oportunidade de resolver um problema nosso que era terreiro de café. O objetivo principal foi esse, onde nós precisamos substituir os terreiros e a colheita já estava resolvido com a mecanização. Mas, o terreiro era um problema. A expectativa está sendo muito boa, porque o processo fez a substituição de 100% do uso de terreiro.

- Guy Carvalho: Quer dizer, você não colocou o café no terreiro esse ano?

- Léo Pereira: Não, hoje não há nenhum café no terreiro.

- Guy Carvalho: Passou tudo por aqui?

- Léo Pereira: 100% por aqui.

- Guy Carvalho: Guto muito bom. Acho que vocês fizeram um investimento acreditando em uma nova tecnologia. Vocês estão satisfeitos com essa tecnologia? Na sua opinião, ela é aplicada para outros produtores?

- Guto: Sim, ela é reaplicada. Nós montamos uma estrutura para 258.000 litros de cafés para secagem simultânea e é modular. A cada 32.000 litros é um módulo, ou seja, cabe para qualquer produtor.

- Guy Carvalho: Quer dizer, ele pode fazer um ou mais módulos de acordo com a necessidade?

- Guto: Exato.

- Guy Carvalho: Funciona muito bem?

- Guto: Muito bem.

- Guy Carvalho: Vocês estão satisfeito com a qualidade do café que saiu ?

- Guto: Estamos satisfeito com o tempo de secagem, com a qualidade. O café saiu da lavoura e secou em torno de 140 hora. O café cereja. O café de meia seca secou em torno de 80 horas. Então funcionou muito bem.

- Guy Carvalho: Léo, conta um pouquinho de como funciona a sua colheita. Você colhe o café e traz tudo para cá?

- Léo: Sim, como são várias propriedades de vários pontos de munícipios, nós procuramos centralizar todo processo aqui. Esse local é praticamente do lado da cidade. Há asfalto e fácil acesso e tudo vem para cá. A vantagem interessante é que sai da máquina é já vem para cá.

- Guy Carvalho: Você não lava o café? Ele vem direto?

- Léo: Até agora sem lavagem nenhuma porque o café está cereja. Foi muito bem com o café cereja e algumas lavouras adiantadas. Ele está normal. A bebida passa muito bem dentro do nosso padrão da região que é de 700 metros. Temos um pouco de dificuldade, mas esse ano estamos indo muito bem e dentro da expectativa.

- Guy Carvalho: Quer dizer, você acha que esse sistema é interessante para a condições de vocês aqui no Carmo?

- Guto: Sim.

Quem falou sobre esse sistema de secagem estático foi o meu amigo Ivan Caixeta que é Engenheiro Agrônomo, Professor do Instituto Federal do Sul de Minas, Campos de Machado. Há 5 anos ele vem estudando e avaliando essa tecnologia.

- Ivan: Foi a única instituição que deu a cara a bater para testar a eficiência desse tipo de secagem. Hoje, nesse evento nós concretizamos uma alegria enorme de ver, apesar da gente apanhar muito de diversas frentes de pesquisa, um sonho concretizado que eu tinha de ver um trabalho como esse. Colocaram em prática uma quebra de paradigma tão grande.

- Guy Carvalho: Sem dúvida, a gente pode ver que essa tecnologia bastante estudada hoje está sendo utilizada entre os cafeicultores.

- Ivan: Exatamente e veio para solucionar. As nossas pesquisas não são teóricas, elas são práticas para mostrar a eficiência do sistema em economia de energia, de mão de obra e a qualidade do produto final que está entregue. Uma região como essa em que você está na beira de represa e os produtores tinham extrema dificuldade em processar esse café. Hoje, eu tenho certeza que se o produtor no que ele vai ganhar em qualidade e na redução de custo, ele consegue pagar o alto investimento em pouco tempo.

- Guy Carvalho: Com certeza. O professor, eu lembro que o senhor mostrava cada detalhe. Como acontecia essa secagem. Explique rapidamente. No começo é um pouco mais lento, mas é melhor? Fale um pouquinho sobre o processo de secagem no estático?

- Ivan: No estático o trabalho é muito interessante. É uma desidratação, nem falo que é uma secagem de café. Semelhante ao que você faz com uva desidratado ou abacaxi desidratado, aqui nós estamos desidratando, ou seja, tirando o excesso de água no café. Tem uma caixa, de boca larga, onde se perde a umidade, com rapidez, para o ambiente, ainda mais em ambiente seco como está aqui. Então você tem uma alta eficiência de secagem mantendo a qualidade. Os grãos ficam secos, quem faz o serviço de desidratação deles é o ar que atravessa a camada. Então ele não sofre estresse, não recebe pancadas de elevadores, de secadores que rodam esse café e, por consequência, acabam danificando fisicamente o grão.

- Guy Carvalho: E não tem perigo de fermentar.

- Ivan: A fermentação que ocorre, onde estamos observando os trabalhos, é uma fermentação benéfica.

- Guy Carvalho: Entendi. Não perde a qualidade.

- Ivan: Não perde a qualidade.

O senhor Wilson Roberto, cafeicultor de Alfenas, também já aderiu a novidade. Utiliza o secador estático e confirma a validade da tecnologia.

- Wilson: É um funcionamento muito bom. Eu comprei 4 caixas. 2 ficou em São Paulo e 2 veio para Minas.

- Guy Carvalho: Está funcionando?

- Wilson: Está funcionando muito bom aqui em Alfenas.

- Guy Carvalho: Ajudou no seu processo de qualidade?

- Wilson: Ajudou na qualidade, na economia e em tudo.

- Guy Carvalho: Como que funciona isso na prática em sua fazenda? O senhor colhe o café e joga na caixa?

- Wilson: Ele vem direto da carreta para a caixa.

- Guy Carvalho: Normalmente fica em quantos dias?

- Wilson: Ficou em 4 dias o último que tirei ontem a tarde.

- Guy Carvalho: Aí segue para a tulha e benefício?

- Wilson: Ele vai para a tulha para acabar de chegar na temperatura.

- Guy Carvalho: No final ele chega tudo ao ponto?

- Wilson: No final ele chega a 11ºC na umidade.

- Guy Carvalho: O senhor achou que isso colaborou com a qualidade de seu produto?

- Wilson: De mais. É o futuro de secador para o agricultor.

O cafeicultor que é meu assistido Venerando Carvalho de Conceição Aparecida também marcou presença no evento e definiu muito bem o que viu.

- Venerando: Estou vendo um show nessa secagem, porque a minha maior preocupação era o tombo do café, já que ele ficava muito parado. Aqui, eles dão um tombo no café e isso acaba homogeneizando muito. Estou achando um show e acho que isso vai pegar.

A estudante de agronomia, do Instituto Federal do Campos de Muzambinho, Ana Paula comenta que devido as vantagens oferecias é que a tendência com o uso dessa secagem seja mais comum.

- Ana Paula: Com certeza eu acredito, principalmente porque irá diminuir mão de obra, questão climática - não fica preocupado se vai chover para colocar o café no terreiro. Aqui ele está totalmente protegido. Acho que isso será tendência e cada vez mais será instalado nas propriedades.

Agradeço todos vocês que acompanham o nosso trabalho. Também agradeço a Palini & Alves pela parceria. O episódio de hoje fica por aqui e em breve estarei de volta com mais inovações e dicas sobre cafeicultura.

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