Broca do Café

12.09.2018 Autor: Guy Carvalho Fonte:
Conhecendo melhor a praga, ações preventivas e influência das chuvas antecipadas de agosto

A broca é a segunda praga mais importante e uma das maiores causadoras de prejuízos à cultura do café. Esse besouro se alimenta exclusivamente dos frutos do cafeeiro e sua ocorrência depende das condições climáticas e da quantidade de grãos remanescentes da safra anterior. Os prejuízos causados pelo inseto são muito significativos, tanto na qualidade como no valor do café, e entre eles destacam-se:

  • Queda precoce dos frutos
  • Apodrecimento da semente 
  • Contaminação por micro-organismos prejudiciais à qualidade
  • Aumento de grãos quebrados e escolha
  • Perda de peso
  • Deprecia o tipo: cada 5 grãos perfurados constituem 1 (um) defeito
  • Redução no valor da saca 


À esquerda: Broca do Café (Hypothenemus hampei); ao centro: Grão de café com larvas do besouro; À direita: sementes do café perfuradas pelo inseto

Durante o ciclo de vida, a broca passa pelas fases de ovo, larva, pupa e adulta, quando mede menos de 2 mm de comprimento. Todo o ciclo ocorre dentro do grão e os prejuízos são causados pelas larvas que se alimentam da semente. Após a colheita, o inseto sobrevive e se multiplica nos frutos remanescentes na árvore e no chão e ficam aguardando o desenvolvimento dos chumbões para novo ciclo. 


Importante: 
A alta umidade nos frutos é um fator que favorece o inseto a atravessar o período de entressafra, em que fica aguardando a chegada dos grãos da safra nova. 

Cerca de 80 a 90 dias após a principal florada ocorre a chamada época de trânsito da broca, em que ela migra dos frutos secos para os chumbões da nova frutificação. Essa é a ocasião adequada para o monitoramento e, caso seja necessário, realizar o seu controle químico.
Nas principais regiões produtora, o clima durante a safra favoreceu a broca. Em agosto de 2018 ocorreu chuva significativa, e parte dos grãos que ainda restavam nas plantas caiu, o que dificultou sua coleta. Outro problema que certamente irá colaborar com a broca é que as plantas não passaram o período necessário de estresse hídrico para garantir uniformidade no florescimento, e muitas delas responderam à chuva com antecipação no aparecimento das flores.  São essas floradas precoces e desuniformes que nos preocupam para a próxima safra, pois irão encurtar o período mais difícil para a praga, tornando sua vida mais fácil e aumentando o risco de maior incidência na safra de 2019.


Alerta!
O clima do inverno de 2018 foi favorável para maior ocorrência da praga na próxima safra, pois reduziu o período de dificuldade e aumentou o período favorável para a sua multiplicação. 


Dicas técnicas para os cafeicultores:
Não temos controle sobre o clima, mas alguns cuidados com os grãos remanescentes auxiliam no controle da praga e devem ser realizados neste momento:

  • Mapear sua ocorrência, levantando a origem dos lotes que apresentaram maior incidência da broca;
  • Fazer repasse manual ou com máquina retirando frutos que sobraram nos pés de café;
  • Realizar varrição mecânica ou manual;
  • Nos talhões que apresentaram a praga, realizar varrição independente do resultado financeiro da operação, evitando assim potencial foco do inseto.


Esse conteúdo foi baseado no episódio que abre uma série de produções para compartilhar conhecimentos sobre “Broca do Café” realizado pelo Canal Papo de Cafeicultor em parceria com a BASF. Confira esse e aguarde os próximos episódios. Segue o link para o vídeo – https://youtu.be/CzIK2NbJZcM

Agradecimentos especiais ao colega Pedro Mendonça e ao pessoal da BASF, grande apoiadora desta iniciativa. 


Literatura citada:
Parte do conteúdo foi baseado no MIP das fazendas que assisto – Manejo de pragas e doenças em fazendas certificadas, elaborado pelo Engo. Agr. Guy Carvalho e pelo Engo. Agr. Júlio César de Sousa - EPAMIG.

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